José Nazareno Vieira, Fundador e Presidente do Instituto Mapa

Há mais de três décadas acompanho com muita proximidade os ciclos eleitorais em Santa Catarina, desde 1992. E, nunca num ano ímpar, no caso 2025, ocorreu tamanha efervescência político-eleitoral.

Vários fatores propulsionam tal superaquecimento, o primeiro e mais influente de todos é a majoritária aderência do eleitor catarinense ao bolsonarismo-direitista diante do antagônico lulismo-esquerdista. Paixões de amor e ódio geradoras de fortes divergências e dissabores até em ambientes familiares. Prato cheio nas redes sociais.

O segundo, em consequência do primeiro, é o Governador Jorginho Mello (PL-22), eleito no guarda-chuva da fidelidade ao padrinho Jair Bolsonaro. Jorginho, fortalecido por sua vigorosa atuação constitui-se num “animal-político”, análogo ao Ex-governador Luiz Henrique; tendo alto desempenho de gestão e popularidade governamental.

Assim, firma-se em voz e vez com proeminência nas definições do tabuleiro eleitoral em prol da sua reeleição, propiciando arranjos partidários em volta do poder e dificultando significativamente ações e perspectivas de concorrência, até agora restrita aos esforços de João Rodrigues (PSD-55) e da ainda indefinida candidatura de esquerda.

O terceiro fator, ainda reflexo do primeiro, mas um pouco inusitado, que passou a ser relevante no jogo eleitoral, é disputa das duas vagas por Santa Catarina ao Senado por conta da indicação impositiva de Jair Bolsonaro, seu filho 02 Carlos Bolsonaro. Tal componente tumultuou o cenário, a articulação do Governador Jorginho Mello e a vida dos pretensos naturais postulantes: Caroline De Toni (PL), Esperidião Amin (PP) e Décio Lima (PT).

Esta turbulência gerou pauta midiática expressiva, até além da bolha dos que se nutrem da temática político-eleitoral. A este contexto geral ainda podemos adicionar um final de ano apreensivo no tocante ao quadro nacional: avaliação do governo Lula, destino e posicionamentos do Ex-presidente Bolsonaro, jogadas dos partidos políticos de centro e escalação dos pré-candidatos a presidente.

Então, o que se viu e vê 2025 como ano ímpar, acima da média política, que prenuncia um 2026 de alta “instabilidade climática”, na meteorologia eleitoral, na qual o Instituto Mapa mais uma vez se fará presente, sempre no propósito de informar de maneira crível e confiável o eleitor catarinense.